4
SEX
5
SAB
B Fachada
6
DOM
Vëlla + Downfall Of Mankind
7
SEG
8
TER
9
QUA
10
QUI
11
SEX
12
SAB
13
DOM
14
SEG
15
TER
16
QUA
17
QUI
18
SEX
19
SAB
20
DOM
21
SEG
22
TER
23
QUA
24
QUI
25
SEX
26
SAB
27
DOM
28
SEG
29
TER
30
QUA
31
QUI
1
QUA
2
QUI
3
SEX
4
SAB

Aphex Twin - Syro

Aphex Twin - Syro - 2014
Review
Aphex Twin Syro | 2014
Rafael Trindade 02 de Outubro, 2014
Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

My Brother the Wind – Once There Was a Time When Time and Space Were One

Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes
Richard David James não precisa de introduções. O produtor Irlandês é indubitavelmente o Rei dos reis do panorama IDM (inteligente dance music). Entre vários pseudónimos, tais como AFX, Bradley Strider, Caustic Window, Polygon Window, Power Pill, Gak e Q-Chastic, é o nome Aphex Twin que lhe garante todo o seu legado. Imensurável é a quantidade de artistas que beberam da fonte de conhecimento, criatividade e inovação que é a discografia de Aphex Twin, uma das mais emblemáticas figuras da música electrónica, breaks, minimalista, ambiente e IDM (termo que o próprio detesta com unhas e dentes)

O cenário em 2014 é este: após ter lançado, sobre o nome de Aphex Twin, obras-primas incontestáveis da música electrónica como o indiscutivelmente lendário Selected Ambient Works 85-92, a imensa segunda parte, o grande disco duplo Selected Ambient Works Vol. II,  e consequentes peças musicais enigmáticas e misteriosas denominadas I Care Because You Do e Richard D. James Album, o Irlandês lançou em 2001 outra carga massiva de porrada acid techno, Drukqs. Com isto, o projecto Aphex Twin desapareceu do radar e consigo levou o mastermind de toda a operação, o senhor Richard. Durante 13 anos foram incalculáveis as especulações e deduções que um mundo inteiro tirou acerca deste desaparecimento. Muitos pensavam que não haveria mais nenhum disco creditado a Aphex Twin. Outros pensavam que Richard D. James nunca mais voltaria sequer a fazer qualquer tipo de música, fosse lá qual o nome ou o projecto envolvente. Alguns, radicalizando e levando as especulações aos maiores extremos possivelmente imagináveis, deduziram mesmo que RDJ tinha morrido.

Eis as numerosas razões pelas quais Syro é um disco tão falado e pelas quais foi tão ansiado. No papel e em contexto, Syro tem tudo o que precisa para ser um dos discos mais revolucionários dos últimos 10 anos. É o regresso em grande do maior mito de um género inteiro, é misterioso, a promoção ao disco através de balões de ar e graffitis nas ruas foi planeada e executada perfeitamente… e saiu precisamente na altura certa, na qual Richard D. James precisava de assumir uma posição.

Musicalmente, Syro pode parecer um tanto ou quanto disjunto em primeiras escutas, mas a música de Aphex Twin nunca foi material para se ouvir de maneira passageira, numa viagem de carro de família ou como background para outras tarefas. Há que prestar atenção aos pormenores meticulosamente texturados das faixas contidas em Syro, e só assim este se revelará como uma jornada fria, experimental e minuciosamente calculada de breaks lavados em acidez contagiante. Em Syro, RDJ pega em vários aspetos do trabalho de Aphex Twin e soa surpreendentemente reminiscente dos primeiros trabalhos do mestre, os dois Selected Ambient Works, e consegue completar com sucesso a tarefa de encruzilhar os aspetos minimalistas e ambientalistas desses dois álbuns com o  acid techno e os breaks de Drukqs, e em simultâneo consegue criar um disco autêntico e relevante em 2014, passados 13 anos desde o seu disco anterior.

Mas que pormenores são estes? Linhas cada vez mais distorcidas de sintetizadores, os hooks de vozes em autotune que Aphex Twin usou e abusou previamente na EP Windowlicker e que tantos aspetos melódicos acrescentam aos temas nos quais são inseridos. Um dinamismo fascinante ao acrescentar instrumentação como se estivesse a fazer uma simples sandwich, até ao ponto em que um tema toma uma reviravolta imensa e se transforma numa conceção completamente diferente. A segunda faixa de Syro, XMAS_EVET10 (thanaton3 mix), é definitivamente uma das melhores constatações de tal processo. Um colosso musical de 10 minutos que se subdivide em duas partes: a sua primeira, influenciada pelos trabalhos de música ambiente de Richard D. James, e a segunda, inundada em oceanos compostos pelo ácido de Drukqs180db_ é um repetitivamente hipnótico processo de sintetizadores graves e abrasivos, PAPAT4 (lineal mix) pode ser assumida como a reincarnação em 2014 de Alberto Balsalm, e faixas como CIRCLONT14 (Shrymoming Mix) e syro u473t8+e (Piezoluminescence Mix) envolvem o ouvinte numa dimensão futurística de melodias peculiares e ritmos maniacamente velozes. A faixa de encerramento aisatsana [102 acaba por ser a cereja no topo do bolo da reminiscência: apenas faltava uma balada idêntica a Avril 14th e a muitas outras contidas em Drukqs. Syro toma um final melancólico e sublime.

Syro leva selo de magnificência. Mais uma vez, Richard D. James realizou um empreendimento que consta na categoria de “brilhante”. Podemos chamar a Syro muitas coisas. “O perfeitamente realizado regresso do mito”, “A salvação da IDM em 2014”, “Selected Aphex Works 01-14”. Mas no fundo, Syro não precisa de ser atribuído denominações: é único no seu próprio direito... e ter na consciência que a maioria das (ou todas as) faixas contidas em Syro já integravam sets de RDJ no passado, bem como ter a noção de que este não é o último disco que Richard lançará… é assustador e é irrefutavelmente entusiasmante. Aphex Twin está de volta e tornou a concretizar uma obra-prima, e com esta, a auto-garantia da posição de uma das grandes figuras de 2014. Vénias a Sua Alteza e a toda a sua subtileza.
por
em Reviews
Bandas Aphex Twin

Aphex Twin - Syro
Queres receber novidades?
Comentários
Contactos
WAV | 2020
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
SSL
Wildcard SSL Certificates
Queres receber novidades?