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Coelho Radioactivo – Canções Mortas

Poderia apresentar-vos a história do Coelho Radioactivo resultado das extensas pesquisas que havia feito na internet. No entanto prefiro contar-vos de uma forma mais pessoal e remontar a 2012 quando na noite de Natal decidi sentar-me à lareira e ouvir pela primeira vez a música do cantor oriundo de Aveiro. A história do novo disco, gravado pela Gentle Records, traz em nome “Canções Mortas” pelo facto de significarem isso mesmo para João Sousa, na altura em que lhe deu o nome. O motivo de estar a remontar à noite de Natal, em que ouvi pela primeira vez o seu Estendal, resume-se ao facto da maior parte das canções deste novo disco terem sido feitas enquanto o cantor trabalhava nesse álbum. A proximidade de ambos os trabalhos é notável e as sonoridades transmitem sentimentos semelhantes, tanto que um funciona como antónimo do outro. Se em Estendal o coelho mostra uma fase mais pura e adolescente, Canções Mortas é o retrato de um artista concentrado na sua sobriedade e ciente da dureza da vida.

“Uma Nova Jerusalém I” funciona não só como música de abertura de Canções Mortas mas igualmente como uma introdução de “Sangue”, o primeiro single de avanço deste novo trabalho que trazia no seu fim, retratado em sintetizadores, uma imagem mental da felicidade. É importante referir que todos os instrumentos deste disco foram tocados por João Sousa à excepção de “Pistola”, single onde Coelho Radioactivo se viu acompanhado pelos Plutónios e “Braços” que contou com os sintetizadores de Carlos Rosário.

“Deito” é o grande malhão do álbum. E, apesar do seu início pouco inovador no primeiro minuto, há guitarras à Swans no seu minuto final. Vê-se aqui um Coelho a abandonar o seu lado folk e a apostar num instrumentalismo brilhante que demonstra uma nova fase na sua discografia: não só mais sombria, mas igualmente madura. É pena que este momento de êxtase aconteça apenas aqui. Esta sonoridade final seria uma boa exploração no seu habitual trabalho e certamente um single que provocarias boas viagens aquando da sua audição ao vivo. “Cavalo” faz de mote a “Uma Nova Jerusalém II” e talvez a minha suposição inicial esteja correcta, este é efectivamente um bom álbum para ouvir na noite de Natal e “Cavalo” mostra essa viagem até à terra do menino através de uma mancha psicadélica.

Há efectivamente uma evolução positiva em Canções Mortas, João Sousa apresenta-se mais maduro e ciente do trabalho que quer seguir, só que através de singles que ganham pontos na sua experimentação. Canções Mortas traz uma nostalgia intrínseca e é um conforto para ouvir naquele dia em que a saudade bate forte e há possibilidade de reconfortar tal sentimento. Em suma, é um disco ideal para ouvir aquando a necessidade de recorrer a boas memórias passadas, em conjunto com a família mais próxima.

Por Sónia Felizardo / 16 Janeiro, 2015

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