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Desert Sessions - Arrivederci Despair (Vol. 11) e Tightwads & Nitwits & Critics & Heels (Vol. 12)

Desert Sessions - Arrivederci Despair (Vol. 11) e Tightwads & Nitwits & Critics & Heels (Vol. 12) - 2019
Review
Desert Sessions Arrivederci Despair (Vol. 11) e Tightwads & Nitwits & Critics & Heels (Vol. 12) | 2019
Beatriz Fontes 14 de Novembro, 2019
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Mount Eerie - Lost Wisdom Pt. 2

Caroline Polachek - Pang
Tendo em conta o período de seca de dezasseis anos desde os volumes 9 e 10 de Desert Sessions, parece apropriado colocar aqui uma nota introdutória sobre este projeto – até porque The Desert Sessions esteve sempre na lateral dos outros trabalhos com o nome de Josh Homme em termos de feedback do público. Aqueceram-se as válvulas em 1997 pela iniciativa de Homme, um ano após o desmoronar de Kyuss e o início de Queens of the Stone Age, sob o princípio do improviso tendo o ambiente do deserto como catalisador do fluxo criativo de determinados artistas. Isto significa a seleção a dedo de algumas personagens interessantes pertencentes à indústria musical no mesmo ramo ultraramificado onde se inserem QOTSA, trancá-los num estúdio no Rancho de la Luna em Palm Desert e fazê-los criar um álbum juntos a partir do zero. É uma espécie de Casa dos Segredos, mas com resultados proveitosos. Graçolas de lado, Desert Sessions é o gerar de uma força criativa coletiva que se alimenta do mythos do heremitismo no deserto. O objetivo é que algo de bom nascesse deste período de isolamento de um conjunto de estranhos talentosos, e chegaram as provas n.º 11 e 12 que atestam o potencial infalível desta ideia.

A lista de convidados incluiu desta vez Billy Gibbons, Jake Shears, Carla Azar, Mike Kerr, Les Claypool, Matt Berry, Stella Mozgawa, Matt Sweeney e Libby Grace, que contribuíram para a construção de Arrivederci Despair (aka volume 11) e Tightwads & Nitwits & Critics & Heels (aka volume 12). Não menos importante foi a misteriosa personagem de Töôrnst Hülpft, sobre quem sabemos pouco mais do que nos foi contado – consta que após um acidente que envolveu um coice de uma mula, terá perdido todo o sentido de autoconsciência.

Com The Desert Sessions – e, na verdade, tudo naquilo que Homme toca – há sempre um aftertaste de QOTSA, sendo Homme o elemento unificador. O mesmo acontece com este disco e com os anteriores. A colocação vocal e as tendências de Homme na guitarra estão sempre muito presentes, sendo que no caso da colocação vocal, vemos por vezes o efeito de contágio noutros artistas neste mesmo álbum. Vemos aparecer também muito daquilo que deu origem a Villains em 2017. O fator dancy, feel-good-music. Dito isto, em retrospetiva face aos volumes anteriores de Desert Sessions, os volumes 11 e 12 não têm tão profundamente implementada a regra da jam session psicadélica progressiva de intenções hipnotizantes enquanto fruto bruto do misticismo do deserto. Desta vez, embora com a faceta experimental ainda presente, o sentido de humor apurado e o mojo do rock and roll foram a peça central da mesa.

Continuando as comparações, este disco é muito mais tecnologicamente dependente em comparação a outros volumes de Desert Sessions, com um som mais analógico. Logo com "Move Together", o sintetizador introduz o álbum e fixa o ritmo, a acompanhar sozinho a voz de Billy Gibbons até que o ranger da guitarra de Homme venha romper a música – com sinos a acompanhar e um carrilhão de orquestra. "Move Together" introduz Desert Sessions a toques de jazz, tal como "If You Run" traz o folk na sua total beleza, com a voz limpa e arrepiante de Libby Grace Hackford. Em "Something You Can’t See", Jakelby Shearsenbuff entra com a voz para trazer a melancolia amena e despreocupada da face indie. Este projeto vive de mentes abertas.

Com isto não se quer dizer que o efeito místico atordoante tenha sido totalmente posto de lado. Vemo-lo renovado, mas ele está lá. "Far East for the Trees" é a porção hipnotizante do álbum, com uma guitarra a soar a cítara a dar-lhe algum orientalismo e um tambor de aço jamaicano. É também verdade que enquanto exemplo, e a este nível, só temos um. Este tom não compõe a totalidade do álbum.

Há duas músicas que, se tivéssemos de escolher, serviam para condensar as características deste álbum em particular, sendo essas o single "Crucifier" e "Chic Tweetz". A primeira está colocada no decorrer do álbum de forma a introduzir o volume 12, numa pressa crescente, audível em todos os instrumentos e na qual Michael Kerr assume os lead vocals acompanhados de riffs de consistência à la QOTSA – que fazem uma nova aparição num álbum muito bem embebido no cool rock and roll. Em simultâneo, temos o divertido e o cómico à mistura. "Chic Tweetz" é cantado por Töôrnst Hülpft, com um sotaque carregado. Esta música vive de detalhes como assobios defeituosos, o uso de uma campana e letras aparentemente improvisadas – o que se traduz por totalmente bizarras e hilariantes. A fourth wall é eficientemente bem partida com a quebra repentina da música no final e a entrada daquilo que parece ser a conversa de final de gravação, mantendo todo o seu nonsense. A verdade é que dentro de toda a aleatoriedade, não deixa de ser catchy.

É dinheiro fácil apostar em quais destas músicas podem vir a estar inseridas no próximo álbum de QOTSA. "Noses in Roses, Forever" e "Crucifier" serão as respostas mais óbvias – e talvez por isso seja um engano pensar nelas como candidatas. Não apenas porque, no caso da primeira, já conta originalmente com a voz de Josh, mas porque parecem ser as músicas onde ele sujou mais as mãos. A colocação de voz de Homme em "Noses in Roses, Forever" é tão absurdamente própria que parece que já o ouvimos cantar assim em cima de um instrumental diferente. Em "Easier Said Than Done", por outro lado, Josh pega no microfone para soltar uns agudos assustadoramente semelhantes aos de Bowie. A fechar o álbum, esta faixa inclui um aplauso desbotado contínuo e um sintetizador espacial sussurrante, e vão-se acrescentando estes detalhes, aceleram-se, junta-se mais e aceleram, a terminar em total crescendo numa confusão perfeita de bateria, piano, vários sintetizadores, várias vozes e apagam-se as luzes sem avisar ninguém.

Torna-se difícil não falar sobre Desert Sessions sem falar sobre Josh Homme no singular. Tratando-se de um esforço conjunto de criação, Homme é inevitavelmente o combustível, nem que seja por ser ele o instigador de uma viagem de autodescoberta num retiro para músicos que vem depois favorecer o ouvinte. Assim, a direção para onde Homme se coloca enquanto artista individual, viria sempre determinar o resultado deste disco. Não se anula o facto de que a escolha de artistas também o determinou. O que Desert Sessions tem de mais interessante e libertador é que, porque todos os álbuns são uma experiência entre pessoas diferentes, nada se extraviou. É um resultado honesto. No caso dos volumes 11 e 12: inserir bizarria, inserir regabofe, inserir hooks, inserir QOTSA com intensificadores de sabor.
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Desert Sessions - Arrivederci Despair (Vol. 11) e Tightwads & Nitwits & Critics & Heels (Vol. 12)
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