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Fuzzil - Before the Sun Goes Down

Fuzzil - Before the Sun Goes Down - 2019
Review
Fuzzil Before the Sun Goes Down | 2019
Zita Moura 24 de Outubro, 2019
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Caroline Polachek - Pang

Big Thief - Two Hands
Há uma hora do dia em que o alcatrão e o sol se fundem. Chama-se a esse momento o da “visão crepuscular”. Entre o lusco-fusco do amanhecer e o do anoitecer, há um momento em que os pneus agarram melhor a estrada e os dedos se torcem com segurança no volante. Também se ajeitam os óculos de sol e sobe-se o volume da música.

É neste momento, antes do sol se pôr, que está o primeiro álbum dos alcobacenses Fuzzil.

Before the Sun Goes Down é ele mesmo uma ode ao rock. Não ao stoner rock, nem ao blues rock, nem ao heavy blues, nem ao fuzz. Ao rock, pleno de si.

O álbum de Fuzzil é daquelas experiências ao jeito de concept album, em que se contam duas diferentes histórias num mesmo livro. Uma letargia matinal, ainda com pó nos olhos, quando o amanhecer sabe agridoce e a café na ponta da língua, na primeira metade do disco. E depois de se sacudir a poeira das almofadas e se alongar a coluna, amplificam-se as guitarras e pisam-se os pedais de distorção, e o pó que se levanta é não o que nos pesa nas pestanas mas o que se calca entre saltos e animado moshpit.

Fuzzil é destes projetos que se escreve a si mesmo sem precisar de se fazer caber com muito cuidado dentro de um género que lhe sirva mais ou menos. E prova disso é Before the Sun Goes Down, em que conseguem exprimir emoções tão longitudinalmente opostas como as sonoridades que lhes imprimem.
Houve um momento da história da música em que fazer rock era em si mesmo de uma ousadia profunda. Os Fuzzil, gritando a quatro vozes, conseguem trazer essa ousadia de volta para os nossos tempos sem recorrerem a estratégias provocatórias ou a show-off de three-ring-circus.

Fundindo sonoridades que podemos identificar com o grunge, ou com o rock psicadélico dos 70s, ou com o stoner rock dos 90s, certo é que em Fuzzil ouvimos rock desavergonhadamente verdadeiro a si, sem necessidade de validação, e que por isso se faz valer. É suficientemente melódico sem ser entediante, é suficientemente rápido sem ser confuso, é suficientemente ruidoso sem ser massacrante. Fuzzil está, digamos, no ponto de rebuçado para o rock do amanhã.

O terceiro trabalho que lançam para o público, depois de dois EPs, é a confirmação de que esta banda de Alcobaça será das que mais palco pisará por este Portugal e esta Europa fora.

Depois de quatro anos como banda independente, o seu primeiro álbum é lançado pela Raging Planet, editora já lendária no rock português e que tem sob a sua alçada algumas bandas brilhantes como Besta, Greengo e Miss Lava.

Before the Sun Goes Down é o momento do dia em que se ajeitam os óculos do sol, se abre a janela do carro, e se sobe o volume da música. Também é o momento em que Fuzzil se afirma na cena do rock português.

Apoiem bem os óculos na cana do nariz e a coronha no peito. Fuzzil vai disparar.
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Fuzzil - Before the Sun Goes Down
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