23
SAB
24
DOM
25
SEG
26
TER
27
QUA
28
QUI
29
SEX
30
SAB
31
DOM
1
SEG
2
TER
3
QUA
4
QUI
5
SEX
6
SAB
7
DOM
8
SEG
9
TER
10
QUA
11
QUI
12
SEX
13
SAB
14
DOM
15
SEG
16
TER
17
QUA
18
QUI
19
SEX
20
SAB
21
DOM
22
SEG
23
TER

Imperial Triumphant - Alphaville

Imperial Triumphant - Alphaville - 2020
Review
Imperial Triumphant Alphaville | 2020
João "Mislow" Almeida 17 de Agosto, 2020
Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Kelly Lee Owens - Inner Song

Gaerea - Limbo
Tem sido particularmente difícil prestar atenção a qualquer outro disco que tenha saído na mesma semana que este. Desde que foi anunciado que tenho vindo a antecipá-lo como outro grande highlight do ano, e é realmente um alívio poder finalmente ouvi-lo. No entanto, antes de nos imergirmos no submundo de Alphaville, é crucial sublinhar o crescimento exponencial a que os Imperial Triumphant têm sido sujeitos nestes últimos anos. Foi com a chegada do seu antecessor, Vile Luxury, que o trio de Nova Iorque começou a ganhar algum mediatismo. O videoclipe do single “Swarming Opulence” foi sem dúvida um catalisador disso mesmo. Compactuando a estética sonora do disco com toda uma veia cinemática, o resultado acentuou-se de forma certamente avassaladora.

Abraçando uma natureza que muito obviamente liga o lendário “Metropolis”, de Fritz Lang, a uma possante elegância Kubrickeana, o aspeto visual é industrial, sinistro, maquinado, abundante e sufocante. As máscaras douradas, o remanso cosmopolitano da enorme Nova Iorque, o jazz… Tudo disposto de uma forma que resulta na próxima grande promessa do metal avant-garde. Vile Luxury chegou e fincou o seu impacto durante a respetiva campanha de digressão. Surgindo entretanto a chance de testemunhar a força bruta de Imperial Triumphant ao vivo, não há como hesitar. A primeira oportunidade chegou com o set de fecho do mítico Het Patronaat, no Roadburn (que concerto arrebatador!), e a segunda seguiu-se com uma intervenção menos conseguida no SWR Barroselas Metalfest, tristemente marcada por inúmeras dificuldades técnicas – não obstante, impressionante! Instantes antes de subirem ao palco no Roadburn, tivemos a oportunidade de trocar umas palavras para ficar a conhecer um pouco o mundo da banda. É favor averiguar aqui.

 



O tempo passou e a expectativa por música nova obteve, em resposta, o retorno da banda ao mítico Menegroth The Thousand Caves – estúdio do iluminadíssimo Colin Marston (Krallice, Gorguts, Dysrhythmia) – para dar início ao emoldurar de Alphaville. O disco começa exatamente com o primeiro single e videoclipe divulgado – “Rotted Futures” – e é sem dúvida um arranque digno da doutrina de 50 minutos que ainda está por seguir. A abraçar dissonância, mudanças de tempo convulsivas, uma linha de baixo latejante e progressões de guitarra orelhudas, dá para notar uma banda à procura de expandir e edificar as já familiares tendências para paisagens sonoras sincopadas e bem mais pesadas. A vertigem é uma sensação que permanece ao longo do disco, e a faixa “Excelsior” parece cunhar esse mesmo termo da melhor forma. Entre notas de jazz flutuantes e guitarras em tremolo contra uma parede de som de blast beats, cordas estridentes que lembram Portal acompanhadas de um groove rítmico, toda a pontuação parece ser acompanhada pela grande silhueta da cidade de Nova Iorque.

Em faixas como “Alphaville” ou o fecho “The Greater Good”, o ouvinte é rodeado pelo som da cidade. Comboios, metro, o zumbido ensurdecedor das multidões, os arranha-céus a ensopar a neblina de lounges e palacetes luxuosos – tudo a complementar uma performance completa e gloriosamente entregue. “City Swin” e “Atomic Age” justificam todo o hype que o disco tem vindo a ter ao longo destes últimos meses, e é curioso como a banda ainda promove pequenos detalhes do seu antecessor – como as três pujantes marteladas em “Cosmopolis”, a densa cacofonia e até mesmo o retorno de Yoshiko Hara (ex-Bloody Panda) para uma execução vocal verdadeiramente aflitiva. No entanto, o trio acaba por brilhar mais quando este percorre territórios completamente inexplorados.

Quer seja o coro de barbershop quartet, as percussões japonesas conduzidas por Tomas Haake (Meshuggah), ou até mesmo as máquinas industriais de bateria, a banda fá-lo tudo de uma forma simplesmente impetuosa. Uma real masterclass que insiste em ter tudo e mais alguma coisa, sem nunca – em momento algum – perder toda a coesão e consistência narrativa de Alphaville. Para além do mais, existe ainda outro motivo pela qual o disco comunica de uma forma tão hipnótica. Afinal de contas, mal se distinguem as passagens entre faixas. As mil e uma transições entre progressões megalómanas deixam o ouvinte perdido num monumental labirinto sonoro. Sem qualquer noção do que se tem atrás ou adiante, Alphaville está de facto numa dimensão própria. Muito à semelhança da artwork do polaco Zbigniew M. Bielak inspirado no filme Inception, o songwriting, a produção, a estética, o espelho entre o passado e o futuro; tudo reflete um empenho vital que engole o ouvinte numa realidade multidimensional. Relembra-se a interminável escadaria em “Relativity” de M.C. Escher, ou A Zona no filme “Stalker” de Andrei Tarkovsky. Para entrar e realmente apreciar Alphaville , é-se necessária a disposição à interna e externa mutação gravítica.

Uma coisa é certa: o mundo nunca será o mesmo depois disto. Imperial Triumphant criaram aqui algo fundamental. Coexistente entre o livre e desmarcado jazz em forma de improviso, com sangue de black metal na corrente sanguínea, eis um artefacto que muito dificilmente encontraremos na nossa atualidade. Um resultado que somente a colaboração de Zach, Kenny e Steve nos poderia trazer. O trio prometeu-nos uma gloriosa entrada para os “roaring 20’s”; e aqui está ela. Gritante e avassaladora.

por
em Reviews
Bandas Imperial Triumphant

Imperial Triumphant - Alphaville
Queres receber novidades?
Comentários
Contactos
WAV | 2021
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
SSL
Wildcard SSL Certificates
Queres receber novidades?