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Jibóia - Masala

Jibóia - Masala - 2016
Review
Jibóia Masala | 2016
Goncalo Tavares 14 de Abril, 2016
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The Body & Full of Hell – One Day You Will Ache Like I Ache

Iggy Pop - Post Pop Depression


 

Em pouco mais de 3 anos, a Jibóia assentou. Muitos concertos, colaborações e experimentações foram feitos com o seu sibilar. Agora, o projeto de Óscar Silva é uma aposta segura - uma guitarra encharcada de especiarias orientais, manietadas com um senso ocidental. Em Masala, primeiro longa-duração depois de Badlav (2014) e do EP homónimo (2013), vem-se somente sublinhar a experiência. Prolonga-se o transe baloiçante da serpente.

Numa análise superficial, a principal diferença deste para os registos anteriores é o descentralismo da Índia e arreadores. As 8 músicas à nossa disposição referem-se a pontos distintos do globo. Com o desenrolar do álbum, apercebemo-nos que não foi interesse do músico remeter-nos para estas localidades. Masala, uma mistura de temperos muito utilizada na cozinha indiana, é efetivamente uma mistura de influências, não vinculadas a um lugar ou a uma ideia. Um pouco de canela aqui, pimenta do reino em São Paulo, cravinho em Luanda. Em 33 minutos, variam os sabores e a espessura do saleiro.

A maioria das faixas obedece a uma receita: começa-se pelo groove, construído com um Casio, bateria, ritmo meticulosamente aromatizado. Em cima dela posa a guitarra, rastejante, estrondosa em efeitos e potência. É sem dúvida uma receita poderosa, mas com limitações, especialmente visíveis nas primeiras músicas (sequência "Ankara" - "São Paulo" - "Lisboa").

O álbum abre triunfante com "Ankara". Ana Miró, vocalista nos discos anteriores, é substituída em Masala por samples de coros ancestrais, o que torna a música mais arqueológica e confere mais protagonismo ao guitarrista. "Marrakesh" representa uma exceção interessante, valorizando a carga atmosférica e o trabalho da produção (é um bom momento para perceber a criatividade de Ricardo Martins, baterista). "Dubai" é imediato, cheio de pinta e movimento Bollywood. O final chega-nos sombrio com o frio de "Oslo".

“O que mais me interessa explorar é a ideia da repetição, o que vem, por exemplo, de música tribal africana em que se ouvem aqueles coros repetidos até à exaustão.(…)”, nas palavras de Óscar Silva. Essa repetição ritualística, bem condimentada com açafrão, é o maior trunfo e única fraqueza de Masala.
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