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King Buffalo - The Burden of Restlessness

King Buffalo - The Burden of Restlessness - 2021
Review
King Buffalo The Burden of Restlessness | 2021
Beatriz Fontes 16 de Junho, 2021
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Yautja - The Lurch
Pouco mais de um ano depois, os mesmos três seres que entregaram Dead Star ao meio do stoner rock, e que anteriormente apresentaram o diadema blues-y que foi Orion, voltam para trazer novamente algo completo, trabalhado francamente, feito de alma e carne. Assumidamente composto durante um momento pessoalmente exigente e difícil, este terceiro album de King Buffalo é a tradução daquele período num disco que é pesado no seu heavy psych e imperante no seu stoner metal enquanto se mantém totalmente ciente do sentimento que o fez nascer. King Buffalo fizeram cativar muitos pela maneira como exploram a expansividade e abertura no seu instrumental, pela dualidade criada entre uma claridade esfumaçada, e por vezes moody, dos tons psicadélicos e a imensa quantidade de força que conseguem criar quando lhes tende para o peso.

The Burden of Restlessness é onde tudo se intensifica, onde o som ganha ainda mais densidade. Aqui, conseguiram criar alguns dos mais surpreendentes e dos seus melhores momentos no que toca a este peso caótico e sinistro que conseguem desenvolver. Tudo começa com uma injeção de adrenalina, onde a agulha se vê empurrada por cada pulsação das notas punitivas, pouco tempo depois da introdução nos ter dito ao ritmo cardíaco exatamente como se preparar para isto. O baixo aparece elástico e mantém o seu próprio ritmo, apresentando-se vital e hipnótico, enquanto a guitarra faz com que tudo se mantenha constante e tenso. O ranger de dentes da distorção fuzzy vela a música, as coisas começam a embrulhar-se. O caos é magnífico. O tema do disco está espetado nas letras. O tom raso e sussurrado de Sean McVay dá a todos estes tópicos niilistas uma apresentação melodicamente suavizada, sem que a intenção emocional deixe de estar presente na voz. Expõe o desespero dos desiludidos, dos sufocados, o incurável desencanto com tudo o que nos fala daquele que é o fardo da inquietação. O tema nas letras parece, então, ter ditado a garra existente na forma como as faixas se resolvem, permitindo que os momentos em que tudo escala aconteçam como que nascidos pela explosão do núcleo da terra.



Em semelhança a “Burning”, a faixa de abertura com um refrão quase catchy que nos deixa logo colados, “Grifter” é uma música que segue a turbulência, que é o mais portentosa, obscura e severa possível. O sintetizador soa a um teremim lúgubre, e junto a este, a voz de Sean McVay acaba por ganhar uma presença ominosa no meio de um contexto instrumental tão assombrante. Desembrulha numa peça de metal imunda, trovejante e cruel. Já com “Locusts”, somos introduzidos ao rastejar de uma sequência de notas inquietante, vaporosa e invasiva. Entram os sintetizadores drone-y que pairam e espreitam por cima, a agravar tudo. O groove no baixo de Dan Reynolds não pode ser mencionado vezes suficientes para que lhe sejam dignas. Consistente na sua flexibilidade espirituosa, que mantém ao longo de todo o álbum, aparece aqui e em faixas como “The Knocks” ou “Loam”, com uma presença especialmente importante e particularmente poderosa.

Numa abordagem de cósmica leve e com uma sugestão de cor, faixas como “Silverfish”, “Hebetation” ou “The Knocks” têm o psicadélico como qualidade dominante, com tendência para desmoronar em peso. Este disco está cheio de tempestades de areia. A bateria de “Hebetation” define o riff iluminado pelo verão da insurgência. O cenário torna-se planetário pelos sintetizadores; vê-se tudo encaminhado pelo groove e pela estamina, dominante e estratosférico. “The Knocks” vem recuperar algumas notas de “Silverfish”, que cresce organicamente para atingir a amplitude de uma cúpula de som. A bateria de Scott Donaldson desenvolve-se num dilatar percussivo que convida a enormidade do instrumental. The Burden of Restlessness move-se como um espírito errante, feito de dinâmicas de antecipação e da progressão experimental sôfrega que aqui vemos.

Com este álbum, King Buffalo apresentam dos riffs mais dramáticos, trippy e primordialmente sentidos que produziram até então, mastigados por uma aspereza visceral lindíssima. É dentro desta massa tormentosa que encontramos a voz profética de reverb atmosférico, que fecha este espaço temperamental, expansivo e potente. É um labirinto rítmico admirável, embebido na ânsia dos riffs lancinantes que aqui encontramos, tempos convulsivos e muito ritmo. The Burden of Restlessness está aqui como um dos melhores discos de heavy stoner psicadélico que 2021 viu até agora.

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King Buffalo - The Burden of Restlessness
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