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Kvelertak - Splid

Kvelertak - Splid - 2020
Review
Kvelertak Splid | 2020
Bruno Pereira 17 de Fevereiro, 2020
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Os Kvelertak são indiscutivelmente uma das mais importantes bandas da década anterior. O álbum homónimo (2010) e Meir (2013) apareceram como uma lufada de ar fresco na comunidade metal, com um som complexo e cativante, alicerçado em elementos Rock’n Roll, Black Metal e Punk, sendo vulgarmente catalogado de Black’n Roll. Rapidamente se assumiram também como uma das mais vibrantes e intensas bandas ao vivo. O terceiro registo Nattesferd (2016) navegou por caminhos mais progressivos, não tendo, no entanto, alcançado o retorno mediático que o grupo ambicionava, o que precipitou posteriormente a saída do vocalista Erlend Hjelvik. Quatro anos depois, regressam às edições de estúdio com novo vocalista, novo baterista e nova editora. Chega Splid, um trabalho que assume vital importância na carreira dos Kvelertak. Com uma nova era no horizonte, a tradução de Splid é, curiosamente, discórdia.

Apesar do virar de página, as comparações são inicialmente inevitáveis. Na sua essência, desaparecem quase por completo os disruptivos blast beats e referências a black metal que estavam em grande evidência nos primeiros registos. Mas o que perdem de Black, ganham em Punk e Hard Rock, indo totalmente ao encontro da personalidade em palco do novo vocalista Ivar Nikolaisen. E é, de resto, o que se espera de um novo capítulo. Não uma tentativa de substituição mas sim uma nova personalidade, sem com isso se perder o característico e irreverente ADN Kvelertak.

“Rogaland” abre o disco ao som de um crescendo semi-acústico que de imediato cria a típica tensão de que algo está para acontecer. E quando a explosão acontece não há volta a dar, é o arranque para um vendaval alucinante que se estende a toda a velocidade por toda a primeira metade do álbum. Pelo meio de todo o caos instalado de Rock e Punk, encontram-se as melodias únicas e inconfundíveis das guitarras Kvelertak, os coros e até umas inesperadas e galopantes teclas em “Necrosoft”. Também não ficam de lado as montanhas russas de riffs e a autêntica parede trituradora de som, características que a banda já tinha vindo a habituar.

A grande novidade neste este álbum acaba por ser a incursão por lírica em inglês, impulsionada pelas colaborações especiais que aparecem no disco. “Crack of Doom” conta com a voz de Troy Sanders dos Mastodon e “Discord” com a de Nate Newton dos Converge. Sendo inédito na discografia da banda, até agora assente na totalidade em norueguês, tal não é novidade para o vocalista Ivar Nikolaisen, já habituado a cantar em inglês em outros projetos a que dá voz. Se já era habitual a melodia dos viciantes riffs ficarem insistentemente na cabeça, agora também as letras se candidatam a ecoar na mente dos fãs.

A segunda parte do disco, não sendo tão vertiginosa como a primeira, apresenta uma autêntica viagem sonora por diversas paisagens e ambiências, sem nunca perder a coerência. Em "Tevling" vislumbra-se uma aura algo grunge; "Stevnemøte Med Satan" com distorções ácidas; “Delirium Tremens” algo mais progressiva; "Fanden Ta Dette Hull!" com um solo marcadamente thrash. Este último tema, que tem quase oito minutos de duração, pode ser visto, aliás, como uma autêntica antologia daquilo que são os Kvelertak. Imagina-se a diversão entre os membros com a evolução sonora do tema na sua criação em estúdio. A viagem culmina com "Ved Bredden Av Nihil" onde se podem encontrar os blast beats tão ansiados pelos fãs mais acérrimos dos primeiros trabalhos da banda, mostrando que, apesar desta nova era no grupo, não são esquecidas as peculiares influências Black Metal que ajudaram a tornar esta banda tão única.

Em suma, os Kvelertak viram a página com um disco frenético e absolutamente viciante. Um disco que de início ao fim soa a Kvelertak, mas que deve ser encarado como um novo capítulo da banda e não como uma continuação da trilogia anterior.
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