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Mars Red Sky - Stranded in Arcadia

Mars Red Sky - Stranded in Arcadia - 2014
Review
Mars Red Sky Stranded in Arcadia | 2014
Ana Isabel Pereira 20 de Junho, 2014
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Reconhecemos a França como um grande centro cultural, cuja tradição artística, intelectual, gastronómica e arquitetónica tem tanto de única como de invejável. Contudo, sem tirar mérito ao país como destino turístico, agora é hora de lhe prestar homenagem por ser o berço de um trio que nos proporciona todo um outro tipo de viagens. Vindos de Bordéus, Julien Pras (voz, guitarra), Jimmy Kinast (voz, baixo) e, agora, Matgaz (bateria), são os elementos que compõem os Mars Red Sky, um projeto que, apesar de ser relativamente recente, já carrega o peso das expectativas criadas depois de, em 2011, terem lançado um álbum homónimo extremamente aclamado por quase todo o universo de fãs de “psychedelic stoner rock”.


Este ano a banda traz-nos Stranded in Arcadia, que mistura muito bem um conjunto de estilos e sonoridades que vão desde o desert rock, stoner, fuzz, groove, psych/blues ou psych/pop, até uma marcante influência do rock dos anos 60. Na verdade, incluí-los num só estilo ou género, quer neste álbum, quer no seu antecessor, é demasiado redutor e demonstra uma certa falta de respeito às obras de arte com que nos presenteiam.


O início do álbum traz um pedido latente aos ouvintes: escolham a vossa droga porque estão prestes a ter uma das melhores trips deste ano. E nada melhor do que começarem a vossa viagem com os cerca de 8 minutos hipnotizantes e carregados de misticismo com que The Light Beyond nos brinda. Logo na faixa inicial deparamo-nos com um dos aspetos mais intrigantes que marca quase todo o álbum. Estou a falar, claro está, dos vocais claros, melódicos e frágeis de Julien Pras que contrastam com o instrumental mais pesado formando, apesar de tudo, uma perfeita simbiose que provoca sentimentos bipolares de fragilidade e brutalidade. Juntando a intensa presença do baixo, conjugada com os efeitos da guitarra de Pras e o ritmo de bateria que parecem convidar à imaginação e aventura, estão assim reunidas as condições necessárias para a criação de uma atmosfera psicadélica que nos acompanha até ao final do álbum.


Hovering Satellites, por sua vez, é mais pesada e vigorosa, carregada de efeitos, riffs extremamente cativantes, solos matematicamente posicionados e um Matgaz a dar tudo na bateria, sendo, portanto, o segundo ponto alto de Stranded in Arcadia. A faixa seguinte, Holy Mondays, é a mais curta do álbum e vem quebrar um bocado o ritmo da corrente imposta pelas anteriores uma vez que, apesar de possuir uma introdução lenta com o seu quê de “jazzy”, logo imprime mais velocidade e presenteia-nos com um refrão orelhudo e uma tonalidade mais suave, ao estilo dos The Atomic Bitchwax. É de realçar, também, o dueto Pras-Kinast, ficando os registos mais altos a cargo do primeiro e os mais baixos da responsabilidade do segundo. Já Join the Race tem uma introdução promissora, negra, que se opõe ao decorrer da música onde se denota uma forte influência do pop rock psicadélico dos anos 60/70 e que revela, mais uma vez, a beleza dos vocais e a sua perfeita conjugação com o instrumental.


Segue-se Arcadia, uma verdadeira obra-prima musical, com uma atmosfera muito particular, hipnótica, carregada, obscura, suja e extraordinariamente propícia a viagens mais introspetivas. É impossível descrevê-la, quanto mais não seja porque as palavras não iriam fazer justiça a este potenciador de sentidos.


A audição de Circles, a antepenúltima faixa de Stranded in Arcadia, torna-se mais agradável quando feita separadamente e não no seguimento do álbum. Talvez por ser mais alegre e “bluesy” tenha sido colocada lá para curar a ressaca da música anterior. No entanto, com Seen a Ghost voltamos às viagens alucinatórias provocadas por riffs deliciosos e pelas combinações dos instrumentos que têm tanto de freaks como de poéticas.


O álbum acaba com Beyond the Light, uma inversão das palavras da primeira faixa que faz adivinhar a sua correlação e que fornece o encerramento tempestuoso perfeito para toda a experiência que é ouvir um álbum de Mars Red Sky repleto de guitarras lentas, graves e arrastadas, responsáveis por riffs estrondosos, carregadas de efeitos criadores dos ambientes adequados a cada música, juntamente com um baixo proeminente e compacto, e uma bateria enleante.


Stranded in Arcadia é, assim, a afirmação categórica de que os Mars Red Sky são um dos novos fenómenos musicais dos últimos anos, conseguindo, desde já, ter um som inconfundível ao imprimir um cunho pessoal às músicas que elaboram. A banda é uma lufada de ar fresco que vem abanar um estilo considerado, por muitos, obsoleto, conseguindo, sem nunca cair no erro de as imitar, fazer-nos lembrar, em diferentes alturas, bandas como Electric Wizard, Kyuss, Kylesa ou até mesmo uns Pink Floyd ou uns Led Zeppelin. Sensacional!


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Mars Red Sky - Stranded in Arcadia
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