wav@wavmagazine.net | 2014 | PT
a
WAV

Modest Mouse – Strangers to Ourselves

Quando ouvi “The Ground Walks, with Time in a Box”, fiquei extremamente entusiasmado pelo novo disco dos Modest Mouse. Parecia que a esquizofrenia da banda se tinha tratado numa clínica de reabilitação e ressuscitado ao som de discos dos Talking Heads. Foi o melhor momento dos últimos 10 anos da carreira da lendária banda americana e decididamente é dos meus 5 temas favoritos do catálogo discográfico deles.

A data de lançamento de Strangers to Ourselves passou-me ao lado, mas assim que soube que o disco já tinha sido liberado, arranjei tempo e fui ouvir o novo disco dos Modest Mouse com expectativas a pesarem na minha consciência. Infelizmente, fiquei extremamente desapontado. Strangers to Ourselves é uma autêntica montanha-russa no que toca a consistência qualitativa. Um saco misto de momentos que tentam reincarnar a esquizofrenia de discos como The Lonesome Crowded West e de momentos que 10 minutos tornam esquecíveis e facilmente descartáveis.

Enquanto que “The Ground Walks, with Time in a Box” é das malhas mais dançáveis e contagiantes que o ano de 2015 testemunhou, “Pistol (A. Cunanan, Miami, FL. 1996)” é um tema tão horrível que sinto vergonha por o ter ouvido. Temas como “Lampshades Of Fire” são temas suficientemente decentes para ficarem entranhados na cabeça durante uns dias, enquanto que “Shit In Your Cut” é quase tão terrível quanto o seu título. “The Tortoise and The Tourist” é uma viagem de crescendos tensos e de clímaxes contundentes; “Be Brave“ e “Ansel” são temas frustrantes por tão redundantes e aborrecidos serem.

Com Strangers to Ourselves, os Modest Mouse provam que nem todas as bandas envelhecem como o vinho. No caso da banda americana, a idade assume-se como adversidade difícil de superar e como fator que pode levar bandas ao ponto da estagnação e da falta de criatividade. Assim foi no caso dos Modest Mouse, uma banda que de momento atravessa uma crise de identidade; uma banda que se personifica através de uma personagem que se estaria constantemente a olhar ao espelho sem se reconhecer a si mesmo.

Strangers to Ourselves não podia ter um título mais adequado.

Por Rafael Trindade / 23 Março, 2015

Deixar um comentário

About the author /


Rafael, músico (bateria, vibrafone, marimba, glockenspiel, órgão, guitarra, etc...). Coleccionador ávido de CD's, vinis e outras tantas coisas relacionadas com música.

~