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Natalie Prass – Natalie Prass

Natalie Prass  - Natalie Prass - 2015
Review
Natalie Prass Natalie Prass | 2015
João Rocha 18 de Junho, 2015
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Quem percorre os caminhos da criatividade e da arte tem, por vezes, o azar de se esbarrar num entroncamento temporal que o obriga a fazer uma paragem abrupta no seu trajeto, aguardando pacientemente (que outra escolha sobra?) as condições necessárias para poder retomar o seu percurso. Foram precisos três anos para chegarmos ao momento de libertação deste trabalho, que se encontrava desde de 2012 contido nos baús da Spacebomb Records. Durante este tempo, Natalie Prass teve de “aturar” a vincada entrada em cena de artistas como Sharon Van Etten e Angel Olsen, enquanto via a procissão passar. Mesmo adorando Jenny Lewis, fazer parte do coro de suporte da Ex-Rilo Kiley devia ser uma constante facada de frustração por não estar a poder promover o seu álbum. Spoiler Alert: Cada dia de espera valeu totalmente a pena.

O álbum de estreia da canto-autora americana chega-nos co-produzido pelo responsável do seu atraso. Em 2012, a crítica e o público abraçavam com força Big Inner, álbum de Matthew E. White, e a editora acabou por apostar tudo na sua promoção, deixando para segundo plano novos projetos como o caso de Prass. Em 2015, com Trey Pollard a tratar das orquestrações, deitam finalmente cá para fora o homónimo de Natalie, e a audição do mesmo só pode causar uma tremenda sensação de expectativas absurdamente saciadas. Em boa verdade, se o álbum tivesse visto a luz do Sol na altura da sua finalização, possivelmente não teria o impacto que está a ter hoje no panorama musical. Estes três anos foram essenciais para o público redescobrir e querer novamente esta espécie de country feminino alternativo, onde os artistas demoram imenso a se consolidar, mas onde Natalie arrebata tudo e todos ao primeiro álbum.

Banhando-se numa voz de pureza cristalina, a escrita de Prass tem um olho bem atento para os pormenores de uma trágica e alienada história de amor, que se envolvem em perfeita harmonia com as orquestrações dos músicos da Spacebomb Records. Logo no início, com “My Baby Don’t Understand Me”, duas coisas acontecem: primeiro, a constatação do casamento perfeito entre voz, letra e melodia; de seguida, o ficarmos rendidos de espírito a momentos como “(…)Our love is like a long goodbye(…)”. A voz de Natalie, apesar de doce e ingénua, não é das mais potentes que por aí anda. É, aliás, bastante limitada, quase dando a impressão de que a massiva orquestração de cordas e sopros serve para de alguma forma encobrir essa realidade, levando-nos a perguntar como seria a cantora sem estes ornamentos. No entanto, sempre foi do meu entender que não é necessário ter uma grande voz, desde que se saiba trabalhar bem a que se tem, e o domínio, confiança e noção de limitação desta “novata” são fantásticos. “Christy” é esse momento mais despido e íntimo, onde ela demonstra saber usar perfeitamente a sua voz no ponto q.b. que é pedido. “Bird of Prey”, single de apresentação, é o auge do álbum, onde tudo se conjuga de forma quase utópica. A banda nunca se sobrepõem à história que está a ser contada, sendo o elo de ligação uma vocalização que flutua em total harmonia entre os dois. Mais tarde, isto volta a acontecer em “Why Don’t You Believe Me”, desta vez acumulando um poder de controlo que toma as rédeas ao ritmo sem, no entanto, nunca ser dominante.

O disco de estreia de Natalie Prass é um álbum completo em todas as medidas, possivelmente um dos melhores que 2015 ouviu para já. É também o nome de uma artista que carrega agora nos ombros o peso acrescido da maldição do segundo álbum. Pelo tempo que passou na sombra, escrevendo, compondo e servindo de suporte para outros músicos, seria de esperar que, mesmo antes de se ver lançada enquanto artista, já estivesse num processo de amadurecimento, e isso só podia agoirar algo de bom. Até lá, é desfrutar desta obra-prima que, assim como o vinho do Porto, esteve pacientemente em repouso para agora ser desfrutada de uma forma bem mais intensa.
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