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Névoa - Towards Belief

Nevoa - Towards Belief - 2020
Review
Nevoa Towards Belief | 2020
Hugo Moreira 23 de Dezembro, 2020
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Towards Belief é o tão-esperado terceiro capítulo no percurso musical dos portuenses Névoa. Após o muito competente álbum de estreia The Absence of Void (2015), o duo constituído por João Freire e Nuno Craveiro rompeu por completo com todas e quaisquer expectativas com o lançamento do seu segundo disco, Re Un (2016). E se com The Absence of Void, Névoa plantaram a semente do que viriam a ser, Re Un criou raízes, e, quatro anos depois, Towards Belief é onde colhemos os frutos da sua cuidada e meticulosa lavoura. Fazendo jus ao seu nome, o estilo musical dos Névoa continua aqui a ser verdadeiramente nebuloso, continuamente atravessando (ou até mesmo transgredindo) fronteiras e limites musicais, num álbum que se assegura como sendo verdadeiramente eclético, decorando uma elaborada tapeçaria de ambient black metal com fios de jazz, folk e world music, mas sem nunca comprometer o negrume característico e densidade sonora que os tão bem caracteriza, inconfundivelmente, como Névoa.

“Atonement”, a primeira faixa do álbum, abre com uma passagem caótica, onde baixo, bateria e saxofone — aqui interpretado pelo alemão Julius Gabriel — se atropelam um ao outro, logo transitando para uma melodia langorosa no saxofone, acompanhada por acordes suaves de guitarra e pontuada por toques contidos de bateria. Vocais sussurrados juntam-se a este ensemble, pintando um verdadeiro caleidoscópio musical em tons de cinza. A melodia do saxofone, inicialmente contida, vai ampliando e ganhando ímpeto. Subitamente, estes arabescos musicais desembocam abruptamente numa terceira secção onde guitarras distorcidas e vocais guturais marcam passadas pesadas e pendulares. Traçando comparações óbvias, se as passagens jazz-y puxam à memória os alemães Bohren & der Club of Gore, nos trechos mais tumultuosos os Névoa parecem canalizar o black metal avant-garde e atmosférico dos defuntos Altar of Plagues.

 

 

Em “Ember Motion”, um motivo tímido nas guitarras limpas, acompanhado de baixo e bateria pesadamente sincopados, faz lembrar uma dança atabalhoada. Este motivo é repetido até tornar-se quase que um ruído de fundo, qual batida de metrónomo, sobre o qual vocais e guitarras se interpõem aqui e ali. A um terço da faixa, este motivo subitamente redobra em velocidade, e a atmosfera circundante escurece, dando lugar a uma segunda secção em que um instrumento de cordas (um violoncelo talvez?) empresta uma sonoridade estranhamente exótica. Tal como na primeira faixa, esta secção intermédia transita de imediato para uma secção final pesada e com o sabor a sarjeta tão característico do industrial metal de uns Godflesh. “Altering Mass” e “Thrice I Breathe”, as duas faixas disponibilizadas pela banda antes do lançamento do álbum, não podiam ser mais distintas entre si. “Altering Mass” é incrivelmente densa e fechada, como nuvens cerradas num dia cinzento. Já em “Thrice I Breathe”, talvez a faixa mais interessante do álbum de um ponto de vista musical, os experimentos darkjazz de “Atonement” retomam em força, numa faixa que deambula por caminhos tortuosos e contemplativos. A trompete do norueguês Arve Henriksen assume aqui o papel de protagonista, em torno do qual os restantes instrumentos do ensemble andam aos círculos, nunca se sobrepondo ou lhe roubando o spotlight. 

Em “With Devotional Pace” ouvem-se ecos de “Ember Motion”, sendo que a faixa é similarmente estruturada em torno de um motivo rítmico contínuo e omnipresente. Já em “Unending”, Névoa conseguem interpor ritmos folk à sua castigante variedade de black metal. À medida que a faixa progride, camadas se sobrepõem umas às outras, tornando a textura da faixa progressivamente e quase insuportavelmente opressiva, conduzindo-nos em direção ao que efetivamente constitui o clímax do álbum. Findo isto, as camadas caem, uma a uma, o céu abre-se, e os últimos fios de música desvanecem no silêncio. Demasiado frequentemente, álbuns são pouco mais que coletâneas de faixas díspares e desconectas. Em Towards Belief, no entanto, há um claro fio condutor que une início e fim e conecta todas as pontas soltas do que é um álbum extremamente coeso e bem-estruturado. No decorrer deste, Névoa tanto nos pune com salvos de negrume e escuridão avassaladores, como passa salva nas feridas com momentos de indescritível beleza. Towards Belief acaba por ser um título apto, pois quanto a este álbum tudo o que se possa dizer é que é preciso ouvir para crer.
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em Reviews


Névoa - Towards Belief
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