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The Wytches - Annabel Dream Reader

The Wytches - Annabel Dream Reader - 2014
Review
The Wytches Annabel Dream Reader | 2014
Luis Masquete 20 de Outubro, 2014
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FKA twigs - LP 1

My Brother the Wind – Once There Was a Time When Time and Space Were One
Foi em meados do séc. XIX que Seattle se transformou no principal centro da indústria madeireira americana, marcando a implosão social que se viria a fazer sentir na cidade portuária que pacatamente soprava ao ouvido esquerdo do Uncle Sam. Como em qualquer boom industrial, deu-se o  aparecimento do proletariado em massa e consequente consciência crítica, numa cidade onde a desigualdade e os confrontos étnicos deram mote a uma série de reivindicações populares e palavras de ordem revestidas de flanela. Ora, não sendo a pasmaceira conservadora do Mississippi, Seattle em nada era vanguarda (excepto na vestimenta operária que se tornaria moda anos depois) e a segunda vaga do punk atracou na costa oeste com uns anos de atraso… e a alfândega local tratou de o lesar ainda mais. Nos anos seguintes, deu-se o foco mediático que se sabe, e goste-se ou não, este capítulo está mais do que narrado.

Curiosamente, Matgaz (Mars Red Sky) em conversa connosco, falou sobre a sua ânsia de ver os 90’s renascer e, apesar de achar suspeito a referida banda debruçar-se sobre “modas”, parece-me que os tempos que se aproximam serão do seu agrado.

The Wytches surgem em 2011 por três tipos de Peterborough (Eng) que, de certo, cresceram a trautear as malhas de Bleach e Incesticide de Kobain e Ca., sem desprezar a senda do garage dos anos 00. Ouça-se Digsaw e tente-se não imaginar Love Buzz dos Nirvana pela voz de Alex Turner, com a analogia presente em quase todo o álbum. Annabel Dream Reader marcou a estreia a titular deste trio britânico no que toca ao championat dos longa-durações, com um registo de 13 faixas cujas apresentações têm sido dignas de destaque a negrito. Apesar da óbvia inclinação para o acorde distorcido, o disco apresenta uma mescla de psych com alguns tiques a fugir p’ro stoner-rock, não suficientes porém para mudar de rumo a um trecho de sentido único. São daqueles discos que valem pela solidez e energia, sem grandes ilações a reter no próprio ato de ouvir: com composições consistentes e de uma precisão vocal que ressuscita parte dos grunhidos e da angústia teen dos anos 90. Peca apenas por resultar em demasia, não abrindo espaço a outros recreios.

Talvez comece aqui o hype que herde a coroa do kraut no califado alternativo, com o trio britânico a marcar espaço, mas ainda sem nada farpear. Quando tal acontecer, devemos “acalmar a passarinha” e colocar os termos descritivos de parte: é apenas rock fodido!
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