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Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes

Thom Yorke - Tomorrow s Modern Boxes - 2014
Review
Thom Yorke Tomorrow s Modern Boxes | 2014
Rafael Trindade 30 de Setembro, 2014
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Todos sabemos das engenhosas técnicas de marketing de Thom Yorke. Com a sua banda quase desconhecida, os Radiohead, lançou In Rainbows e revolucionou o panorama mercatório da música ao comercializar o disco através de um sistema “pay-what-you-want”, dizendo que desta forma “mostrava ao Spotify como é que é” (não por estas palavras, mas no fundo a expressão a usar é esta). Em 2011, The King Of Limbs foi lançado previamente à data prevista e até foram feitas edições “newspaper” com jornais de ilustrações nunca antes vistas da autoria de Stanley Donwood e do próprio Yorke, bem como trechos de letras do disco. E com isto, um processo à Spotify da parte de Thom. Em 2014, Thom Yorke volta aos meios alternativos de marketing ao lançar de surpresa e sem qualquer aviso o seu segundo disco a solo, Tomorrow’s Modern Boxes, experimentando fazê-lo através da plataforma BitTorrent (e obviamente que não disponibilizou o disco à pala, há uma razão pela qual esta review não tem link para o stream de música).

Tomorrow’s Modern Boxes canaliza aspetos de trabalhos anteriores em que Thom Yorke esteve envolvido: A abordagem electrónica encontrada no seu primeiro disco a solo (The Eraser) e no disco de estreia do seu projeto Atoms For Peace (AMOK), e os loops frenéticos e beats mecânicas encontrados no mais recente disco dos Radiohead, The King Of Limbs. No fundo, Tomorrow’s Modern Boxes é a lógica progressão do trabalho a solo de Yorke e nada mais que isso. Não acrescenta nada de novo ao trabalho musical diverso do artista britânico. É uma palete de cores disfarçadas de novas mas que, na realidade, Thom já antes tinha usado. E a obra final não é pintada cuidadosamente.

Vejamos. A faixa de abertura, A Brain In A Bottle, é uma boa faixa introdutória. A atmosfera envolvente da faixa é reminiscente de uma espécie de ambiente de um cientista maníaco em processo metódico de experiências numa cena de uma série sci-fi a-lá Hannibal. Guess Again Truth Ray actuam em TMB como Codex Give Up The Ghost actuam no disco de 2011 dos Radiohead: Duas baladas bonitas rodeadas por um ambientalismo electrónico que realça e mostra em tela cheia as linhas vocais de Thom Yorke. É definitivamente agradável, a inclusão de ambas. Em Interference, Yorke escreve uma das suas letras mais inspiradas e focadas desde 2007, e na faixa de encerramento Nose Grows Some, Yorke entrega-se inteiramente à influência que Aphex Twin tem sobre ele desde os 2000's e concretiza uma das peças IDM mais intrigantes e coerentes da sua discografia a solo.

O resto do disco resume-se a uma experimentação totalmente desequilibrada. Citemos There Is No Ice (For My Drink), faixa com a duração específica de 7 minutos que canaliza o amor de Thom Yorke por IDM da pior maneira possível. A sexta faixa do disco ocupa aproximadamente 1/5 do disco e resume-se a um loop constituído por hooks irritantes (sim, a voz de Yorke soa irritante nesta faixa), sintetizadores graves e sem qualquer tipo de variedade ou estrutura musical. Definitivamente uma das piores faixas que o oriundo de Oxford já lançou em toda a sua carreira. Para ser franco, até o tão alienado primeiro disco dos Radiohead tem faixas que devoram There Is No Ice (For My Drink) ao pequeno almoço.  Pink Section apresenta-se consequentemente como um interlúdio de dois minutos que deixa imenso a desejar: resume-se às vocais distorcidas de Yorke e a sintetizadores. The Mother Lode, faixa central e elo de ligação entre a primeira e segunda partes do disco, ironicamente soa disjunta e medíocre ao ser introduzida no meio de Interference (que não é surpreendente, mas contrariamente a The Mother Lode, é agradável) e a comovente Truth Ray.

Tomorrow's Modern Boxes soa a um disco disjunto e com pouco ou nenhum sentido de estrutura, e soa à prova em como um dos maiores prodígios musicais do século XXI comete também erros, sendo o maior de todos eles a questão de levar como prioridade as vias de comércio e de mercantilização, esquecendo-se assim do valor do conteúdo daquilo que está no seu disco. Talvez tivesse resultado se Yorke tivesse colaborado com outros artistas. BurialFour Tet,  Aphex Twin, Massive Attack, qualquer um destes conseguiria facilmente acrescentar vitalidade e criatividade a este disco. O resultado final e real é uma ponderação sobre a questão: Será que a aparentemente ilimitada criatividade de Thom Yorke como um artista a solo chegou a um término? Enfim, perguntas sem respostas. Por agora, apenas sabemos que o conteúdo das caixas modernas do amanhã é, no fundo, uma versão disjunta e desorientada do passado.
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