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Torche – Restarter

“Menos é mais” consegue ser uma frase com a qual concordo a 100% na maioria das ocasiões. E o que é facto é que poucas bandas se podem vangloriar de seguirem o lema à letra como podem vangloriar-se os Torche. O trabalho do quarteto americano, embora envolva componentes de stoner rock e psych rock, está constantemente associado ao panorama do sludge metal. Enquanto que nenhuma das designações é completamente errada, nenhuma descreve própria e lucidamente o som dos Torche, deixando passar ao lado a capacidade da banda de criar música hipnotizante mas simultaneamente divertida.

Desde as vocais soporíferas de Steve Brooks até aos riffs simplórios mas caóticos, desde as linhas de baixo distorcidas até às marteladas que constituem as batidas de bateria executadas por Rick Smith, há algo de distintivo no som dos Torche. E Restarter é exatamente isto: um disco curto e agradável durante o qual nos é claramente demonstrado o processo de constituição de uma sonoridade autêntica através da simplicidade. Existe comunicação musical entre os quatro membros da banda, e são elementos como esta sinergia coletiva e o tom não-pretensioso, disciplinado e letárgico que fazem de Restarter uma escuta tão aprazível.

Restarter não é nem um pouco complexo, mas não é por isto que a banda deixa de tomar uma posição e de assumir algo. Pelo contrário, os riffs no novo disco dos Torche são interessantes, massivos e repetidos até ao momento em que gentilmente viram costas e vão embora, permitindo assim ao ouvinte a entrada numa atmosfera de densidades elevadas e de uma capacidade de encapsulamento infalível.

Em suma, Restarter é um ndisco que com certeza agradará imenso a fãs de trabalho musical inserido nos registos da música rock e metal em geral. Restarter é o som de uma banda a encontrar um meio-termo entre os dois géneros musicais e a divertir-se com eles, mas mantendo sempre um sentido de autonomia e de distinção. Os Torche não tentam emular outras bandas nem são portadores do mais minúsculo pretensiosismo. Tudo o que estes homens de barba rija nos pedem é que nos sentemos, relaxemos e desfrutemos de uma coletânea intimidadora e sólida de riffs simples mas eficazes para pessoal que aprecie umas valentes guitarradas. Eles fornecem o divertimento e nós fornecemos os ouvidos.

Por Rafael Trindade / 6 Maio, 2015
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Rafael, músico (bateria, vibrafone, marimba, glockenspiel, órgão, guitarra, etc...). Coleccionador ávido de CD's, vinis e outras tantas coisas relacionadas com música.

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