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Ufomammut - Ecate

Ufomammut - Ecate - 2015
Review
Ufomammut Ecate | 2015
Érica Cardosa 16 de Abril, 2015
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Estamos em 1999, Tortona, Itália: uma pequena localidade calma, enfadonha e pacata. É das profundezas de toda esta monotonia que surge um dos mais barulhentos, pesados e devastadores projetos musicais de sempre: o trio de sludge/doom psicadélico Ufomammut. Formada por Vita, Poia e Urlo, esta banda italiana combina riffs monumentais e arrastados com efeitos massivos, criando assim uma espécie única de sludge pscadélico.

Voltemos a 2015. 16 anos se passaram e os Ufomammut contam já com um catálogo musical constituído por 6 álbuns colossais (estando o último, Oro, dividido em dois capítulos), todos eles excelentes exemplos daquilo que o sludge e o doom têm de melhor. É no seguimento desta lista de sucessos que estes mamutes espaciais nos brindam com o seu 7º trabalho, intitulado de Ecate, uma homenagem musical à personagem mitológica grega Hécate, deusa da bruxaria e do conhecimento, dois conceitos que se encontram ligados a toda a discografia dos italianos. E sendo que a deusa Hécate se encontra geralmente associada a encruzilhadas, esta homenagem não poderia ser mais assertiva! Ecate é um álbum labiríntico, ladeado por paredes de barulho sólidas, robustas e consistentes, ricamente ornamentadas por riffs fantásticos e vocais fortemente mergulhadas em efeitos, criando um ambiente mágico e envolvendo todo o álbum numa nuvem de misticidade quase maléfica.

A viagem de Ecate começa em “Somnium” (latim para "sonho"), título adequado já que toda a faixa se encontra envolta num véu de psychedelia que se vai adensando progressivamente até explodir, trazendo consigo uma onda de riffs esmagadores que nos deixam completamente imersos. Dando continuidade à viagem, temos “Plouton”, que começa exatamente onde “Somnium” nos deixou. É nesta faixa que as vocais de Urlo brilham, deixando transparecer o seu carácter enigmático e misterioso.

Após “Plouton”, temos “Chaosecret”, a faixa mais longa de todo o disco. Todo o ambiente formado pela linha de bateria, de baixo, pelas vocais misteriosas e pelo riff que lentamente vai sendo introduzido na composição melódica vai-se tornando cada vez mais densa, até se transformar numa autêntica bomba-relógio que ameaça detonar a qualquer momento. E é exatamente quando isso acontece que esta faixa atinge o clímax. Em “Temple” dá-se continuidade à tensão acumulada até então, dando enfâse, mais uma vez, às vocais. É uma descarga de energia de aproximadamente 7 minutos, sendo por isso, a meu ver, a faixa mais intensa do álbum.

Depois de um momento tão forte e impetuoso, somos presenteados com a faixa mais psicadélica de todo o álbum: “Revelations”. Tal como o nome nos indica, esta composição de 4 minutos é uma epifania na qual somos convidados a embarcar numa curta viagem sónica pelo nosso íntimo. No entanto, é ingénuo assumirmos que toda esta paz e serenidade serão constantes: esta faixa é um aviso do que se avizinha, e uma promessa de que será completamente cataclísmico. Conforme a faixa se desenvolve, podemos sentir a voltagem a acumular-se e a abrir caminho para “Daemons”, a última jornada desta viagem. Assim que se inicia, somos atacados por um riff poderoso e uma bateria insana. Uma faixa cheia de poder e energia que nos acompanha praticamente até aos últimos instantes, até toda a tempestade musical que Ecate se revelara até então se acalmar e ficarmos sozinhos com um sintetizador que nos faz progressivamente sair de todo o ambiente em que estávamos imersos e voltar lentamente à realidade, envoltos num véu negro e num ambiente melancólico, escuro e até malvado.

Ecate foi lançado a 30 de Março através da já nossa conhecida Neurot Recordings, formada pelos membros da aclamada banda Neurosis. Tornou-se rapidamente num dos meus trabalhos preferidos dos Ufomammut por ser o mais complexo, mais pesado e mais conciso. No entanto, e apesar da sua qualidade, Ecate não nos traz nada de muito inovador. É certo que é um álbum bem produzido, com vários momentos de elevada intensidade e conceptualmente interessante, mas em termos sonoros traz-nos exactamente aquilo a que já estamos habituados a ouvir na restante discografia do trio italiano. Estamos desejosos por ver o próximo passo destes nossos mamutes. Até lá, ficamos com Ecate… E ficamos bem.
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