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Wes Borland - The Astral Hand

Wes Borland - The Astral Hand - 2020
Review
Wes Borland The Astral Hand | 2020
Jorge Alves 13 de Janeiro, 2021
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Que Wes Borland sempre foi um guitarrista super criativo e idiossincrático já há muito que se sabia, mas o seu novo álbum a solo, lançado de surpresa numa altura em que as atenções se concentram cada vez mais nas listas de melhores do ano e menos na descoberta de música recente, é das mais refrescantes e excitantes propostas que 2020 viu nascer. Na verdade, ignorá-la seria um crime, uma injustiça que esta música tão vibrante e aventureira não merecia sofrer, mas talvez seja mesmo esse o destino que lhe aguarda. Não por culpa do seu criador, entenda-se, mas pela altura em que foi editada e pela associação de Wes a uns Limp Bizkit ainda hoje mais recordados pelos infames comentários de Fred Durst do que pelo potencial que outrora exibiram.

Ainda assim, os mais atentos certamente que se lembram da bola de energia explosiva que caraterizava a contagiante estreia do grupo (Three Dollar Bill, Y'all$), produzida pelo mítico Ross Robinson e onde uma das maiores fontes de luz e entusiasmo era precisamente o trabalho de Wes na guitarra: pesado e dissonante, experimental e esmagador, parecia carregar uma paixão que mal conseguia ser contida, como se a guitarra subitamente ganhasse vida e  dominasse o seu dono .Não descurando o resto da banda, Wes era, em certos aspetos, a estrela do grupo, o elemento mais intrigante, e é exatamente essa criatividade espontânea que aqui se ouve e que comunica uma panóplia de sensações, pensamentos e estados de espírito. Todavia, nada disto soa a Limp Bizkit - na verdade, nem sequer é metal, moderno ou extremo; é antes música livre que se recusa a ser catalogada, música onde Wes parece libertar-se de quaisquer correntes que o possam prender para revelar ao mundo a mais genuína e transparente versão de si próprio. É como se os Limp Bizkit fossem velhos amigos de infância com o qual o músico sai para beber uns copos e contar umas histórias, e estes trabalhos a manifestação do seu “eu” interior, aquilo que o preenche enquanto compositor.

“Vorspiel” constitui o perfeito tema de abertura, espetacular no modo como captura a atenção do ouvinte de forma tímida e gradual, quase como se fosse o primeiro plano de um filme que lentamente se vai revelando. Destacam-se aí as linhas de guitarra melódicas e distantes que piscam o olho ao shoegaze, mas rapidamente a composição evolui para algo grandioso, recheado de sintetizadores, onde vozes manipuladas através de um vocoder e que parecem ter sido gravadas numa nave espacial oferecem à música um caráter trippy e simultaneamente sonhador. Mais à frente, samples de vozes femininas acompanhadas de guitarras irrequietas e uma bateria pulsante (da autoria de Hayden Scott, ex-AWOLNATION) pintam um cenário típico de thriller - tudo é inquietante,tudo seduz.

Logo a seguir vem “Gold or Gasoline”, que pode muito bem ser descrita como uma celebração synth-pop anos 80, na onda de uns The Human League. Alguns talvez acharão estranho ver um guitarrista do metal alternativo  a navegar por estes mundos, mas está aqui uma das mais empolgantes faixas do álbum, super orelhuda e ritmada, ideal para as pistas de dança quando estas voltarem em força. Já “The Hand” começa com uma  viciante e minimalista linha de baixo ao qual se juntam fortes percussões e uma melodia cheia de sentimento western, claramente influenciada pelo grande Ennio Morricone, mas onde também se identifica qualquer coisa de Angelo Badalamenti. Há efetivamente um tímido mas palpável toque lynchiano que remete para as cores e os “cheiros” do universo de Twin Peaks, sobretudo para aquele clima de tranquilidade idílica do qual emerge uma leve e inexplicável sensação de perigo; talvez “Freshly Squeezed” seja o tema dessa banda sonora que melhor exemplifica as intenções descritivas destas palavras - que bela oportunidade para com ele conviver de novo!

Por esta altura o entusiasmo já se encontra elevado,mas é com a esplêndida “The House Is Burning” que a experiência atinge o seu auge: autêntica pérola de um disco sem momentos mortos, escolhe caminhar suavemente pelos territórios da eletrónica delicada e exploratória, por vezes num registo próximo dos ambientes hipnotizantes e fantasistas dos Air, especialmente do que o duo compôs para a banda sonora do filme The Virgin Suicides.

Confuso? Aleatório? Até pode parecer, mas na realidade é extraordinariamente coeso, emocionante e profundamente cinemático( como já deu para perceber), semelhante ao seu álbum de 2016, intitulado Crystal Machete. Basicamente, é Wes Borland a viajar por sons, emoções e universos, a entregar-se às necessidades criativas que nele habitam como uma chama que não consegue ser apagada - um pouco como John Frusciante quando começou a aventurar-se a solo e gravou, sem medo, tudo o que queria então expressar. Recorda igualmente Vanishing Point, dos Primal Scream, mas a um nível “espiritual”, pois partilha com esse disco a impressão de ter sido concebido para um filme-  um que não existe, neste caso, mas que passa a sensação de já ter sido visualizado.Tal com o supracitado lançamento de 1997, revela-se também transversal a géneros, sendo que basta escutar uma canção como “Raybienecsh”, onde orquestrações suntuosas coexistem com uma vibe meio Battles e um timbre de guitarra  reminiscente dos Gorillaz, para se perceber isso.

Muito mais se podia dizer- a vontade está lá, colocar um final a esta análise é como terminar um namoro- ,mas, resumindo, trata-se de um trabalho ambicioso e eclético, mais focado na construção de texturas, tons e atmosferas - na linha conceptual de músicos como Adam Jones, dos Tool ou Stephen Carpenter, dos Deftones- do que em exercícios de exibição técnica. Produto de um tipo a fazer o que quer, sem se preocupar com mais nada para além da completa satisfação pessoal; e qual tal ouvir, sem preconceitos?
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